Renato Paiva em apresentação no Fortaleza: 'Jogador que não correr, eu tiro'
Treinador já comanda o Leão contra o Bahia Escrito por Crisneive Silveira crisneive.silveira@svm.com.br
18/07/2025 22:20
Novo técnico do Fortaleza, Renato Paiva foi apresentado na tarde desta sexta-feira (18).
A entrevista coletiva, que durou quase duas horas, ocorreu na sede do clube, no Pici.
O profissional falou sobre a postura que será cobrada dos jogadores em campo, destacou a importância de recuperar a confiança do elenco e deu detalhes sobre estilo de jogo e outros pontos.
“Para mim, é inegociável ter atitude. Nenhum treinador do mundo pode obrigar seus jogadores a ganhar. Mas posso obrigá-los a querer ganhar. E hoje em dia no futebol moderno há uma coisa inegociável: que é correr, lutar. São bases inegociáveis para que técnica e tática funcionem na equipe. E quem não fizer isto, não vai jogar. Essa é a minha mentalidade. Hoje em dia, no futebol moderno, não permite que corram sete e fiquem três olhando. Isso, para mim, nesta nova história é inegociável. Quem quiser entrar no barco é fantástico. Há uma nova história e queria que a torcida, com carinho, apoiasse essa nova história. Não é o treinador. Podem passar 90 minutos a me insultar, desde que os 11 tenham o calor e o carinho da nossa torcida. Não há ninguém que consiga performar bem sendo maltratado. Se o jogador não correr, o treinador tira. Meu compromisso com a torcida é: aquele que não correr, eu tiro.
CONFIANÇA
“É muito importante que os jogadores resgatem (confiança), vão buscar aquilo que eles foram e que os fez chegar até aqui. Hoje vi outros jogos, hoje nota-se que é uma equipe que está completamente dominada pela falta de confiança, o que é perfeitamente normal. São seres humanos, as coisas não acontecem. Não ganham, as ações técnicas não fluem. O ser humano vai se frustrando. O primeiro passo é recuperar... Há aqui gente que ganhou Libertadores, que tem história no Fortaleza, que treinou com os melhores treinadores do mundo. Portanto, não podem ter desaprendido a jogar futebol. Estão até mais experientes. O que vamos fazer é resgatar essa confiança deles. Depois, aos poucos, ir acertando uma outra questão técnica ou tática sem ter tempo para mudar em relação ao jogo do Bahia porque houve treino ontem e hoje. Seria suicida fazer mudanças radicais.”
ESTILO DE JOGO
“O único porém que eu coloquei foi: presidente, temos pouco tempo para treinar e para implementar uma ideia. No entanto, tenho total convicção. Porque não sou um treinador e nem acredito no trabalho que chegou e estalou os dedos, mudou tudo e vai ser tudo diferente. Vamos precisar do tempo necessário, porque não há muito, então vamos ser muito criteriosos na questão de colocar as nossas ideias. Não são melhores ou piores que as de Juan Pablo. São diferentes. Mas, sim, quem me conhece, quem viu meus números, vê uma equipe que propõe, que quer atacar, que procura constantemente o gol adversário, que quando perde a bola tenta rapidamente retomar a posse de bola, e tenta ser o mais equilibrado nos diferentes momentos do jogo. Não vamos sempre estar em bloco defensivo, em bloco médio ou baixo. O jogo tem vida e vamos jogar contra um adversário.”
“Vamos tentar, aos poucos, impor a nossa ideia. Os jogadores gostam de um jogo mais propositivo, de ter a bola. Conhece os jogadores por ver, outra coisa é estar no campo para trabalhar com eles. Vou aos poucos aproveitando o que está de bem feito, que é muito, e aos poucos colocando as nossas ideias. Se tu vai com muita informação, o resultado é invertido.”
GOLEIROS
“Ontem foi a primeira vez que eu saí de um avião e foi direto para o treino. Nem ao hotel eu fui. Ainda não conheci parte do CT. Tive reunião com presidente, diretores, conheci meu gabinete, o vestiário, alguns departamentos que vão trabalhar diretamente comigo. Fui logo falar com os jogadores, treinar, ainda é um tema que ainda não decidimos. Mesmo se tivesse, não ia dizer. Se não, meu amigo Rogério Ceni ia ficar contente em saber quem iria jogar. Portanto, vamos ter tranquilidade e analisar os processos individuais dos jogadores.”
ROTATIVIDADE NO ELENCO
“Falar sobre isso tem muito a ver com calendário. No meu último projeto, havia jogadores que atuavam praticamente os jogos todos por nível fisiológico e físico. O calendário brasileiro, com pouco espaço de tempo entre os jogos, não permite que utilizemos os mesmos jogadores de forma consecutiva. Gosto de ter uma espinha dorsal na minha equipe, e eles tem que conquistar. Se os mesmos 11 forem muito melhores que os outros a treinarem e para mim o treino é fundamental. Quem faz o 11 não é o treinador, é um erro. O treinador escolhe em função do que fazem nos treinos e nos jogos. Analisar sempre o pós-jogo, em questões científicas e biológicas, para o jogo seguinte. Vamos tentar ganhar essa estrutura com a coluna vertebral, que podem ser quatro, sete, três... Não sei ainda. Mas que é importante ainda mais com pouco tempo de trabalho que encontremos algo fixo e depois quem está fora lute para vir para dentro e quem está dentro defenda o seu posicionamento ali. Gerir forma desportiva e física.”
ASSUMIR PROJETO NO MEIO DA TEMPORADA
“Primeira vez que chego a um projeto no meio. Todos os outros foram iniciais. Quando saí no clube, no caso, no Independiente, fui vendido. Leóon e Bahia decidir sair porque entendo quando não sou a solução tenho essa honestidade para deixar trabalhar alguém que faça melhor que eu. E tive minha primeira demissão agora, no Botafogo. Senti um orgulho grande em me chamarem. Pessoas com quem eu falei, é um projeto diferente do Brasil, que defende o treinador, que qualquer treinador gostaria de estar. Deus sabe o que faz. É ser profissional e acreditar muito na forma como vejo minha profissão, como as pessoas estão no clube em vários departamentos vamos abraçá-las. Nós chegamos e vamos nos adaptar. Só faz sentido todos juntos. E não tenho dúvida nenhuma que vamos levar para frente este projeto. Essa palavra de sair da Série A, ainda temos algum tempo para a Libertadores. Não hesitei. Sou um treinador de processos, de ideias e de ser muito crente no efeito que o treino faz numa equipe de futebol.”
Foto: Mateus Lotif / Fortaleza EC
CHEGADA AO FORTALEZA
“O que eu fiz como treinador foi elogiar um trabalho que é completamente diferente do que é normal no futebol brasileiro. Definição clara de projeto, onde não se deixa cair treinadores e jogadores no primeiro mau resultado. Onde as pessoas têm convicções, crenças, e acima de tudo é um trabalho feito neste clube porque o trabalho fala por si mesmo. Qualquer treinador teria muito orgulho. Para isso, foi também importante o trabalho também do meu colega anterior, o Juan Pablo, com o qual troco muitas mensagens de admiração, fez uma história marcante, muito bonita. Eu disse aos jogadores ontem que ainda sem saber que seria treinador deles, mas que vi as mensagens dos jogadores se despedindo do treinador com carinho, com admiração. Isso diz muito dos jogadores, daquilo que é o treinador e do trabalho feito entre eles. É uma história de sucesso e deixa uma herança pesada, mas bonita"
"E eu disse aos jogadores, não venho substituir o Juan Pablo, porque acho que Juan Pablo é insubstituível pq deixou sua história e sua marca aqui. venho, sim, com todo profissionalismo, paixão e ambição, fazer uma história igual ou melhor que Juan Pablo. com títulos, vitória e mais importante que tudo, que é fazer a torcida feliz. não vamos ganhar sempre, mas nesses momentos... Temos muito mais momentos positivos. Que é uma torcida extraordinária, lembro dos mosaicos que esse estádio já teve em muitos jogos. Estou muito orgulhoso de estar aqui na liderança técnica deste clube e desta torcida. Senti na pele como adversário agora sou orgulhosamente parte do clube, desta torcida, e nosso trabalho é que a torcida volte ao estádio, ao clube, e que volte a ter muito orgulho e muita paixão daquilo que é o fortaleza. prometo trabalho, paixão, dedicação. Peço a torcida que acreditem no nosso trabalho.”
JOGO CHAVE CONTRA O BAHIA
“Conheço muito bem, porque joguei contra eles. O elenco que eu tive não tem nada a ver com eles. É uma equipe bem trabalhada por Rogério, com elenco completamente diferente em qualidade e números de opções. É um clássico. Os jogadores têm que perceber: se há um momento bom para mudar a ficha é esse, o clássico. É o que vamos tentar fazer nesses dois dias, pontualmente, para que se aproximem mais da forma de jogar que definiu e que trouxe tanto êxito a esse clube e a esse projeto. Levantei às 3h da manhã para ver o jogo contra o Bahia, pela Copa do Nordeste. Vi coisas interessantes. Vamos já com algumas coisas, com ambição, e acreditar que é possível.”
